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Cristologia

Apostila 05

Cristologia: Base da Teologia
Introduo
Parte I
Cristologia  a doutrina da Igreja acerca da pessoa de Jesus como o Cristo. O autor do livro aqui apontado afirma que a Cristologia sempre ocupa lugar central num 
sistema dogmtico que reivindica ser cristo. Toda tentativa de remover a Cristologia de seu lugar central ameaa o cerne da f crist. Quem quer que olhe para Jesus, 
o Cristo, a partir da perspectiva do Novo Testamento, estar inevitavelmente situado dentro de um quadro de referncia teocntrico. Todo o ministrio de Jesus era 
radicalmente teocntrico.

Cristo  central tanto na ordem da criao quanto no mbito da redeno. A f crist v no testemunho apostlico de Jesus, o Cristo, o critrio final da verdade 
acerca da natureza e identidade de Deus. Sendo assim, a prpria pessoa de Jesus  teocntrica em si mesma.
O tipo de cristocentricidade que acompanhou a teologia da "morte de Deus" mostrou ser errneo. Mas, na verdade, surge daqui uma pergunta importantssima: sobre que 
Deus estamos falando na dogmtica crist? A resposta dada no livro Dogmtica Crist  a seguinte: esse Deus no  a unidade simples, solitria e auto-suficiente 
do monotesmo radical. O Deus do cristianismo clssico , em contraste, aquele Um que, de modo antecedente, diferencia a divindade como Pai, Filho e Esprito Santo 
e  revelado como tal na economia da histria e da salvao.
Originalmente, a doutrina da Trindade surgiu como produto da reflexo teolgica sobre a revelao de Deus na pessoa de Jesus, o Cristo. Assim sendo, esta doutrina 
veio como necessidade de se explicar a realidade com a qual nos deparamos quando Deus, na histria, foi Se revelando. Mas, apesar desta doutrina trinitria, o cristianismo 
 universalmente classificado como uma forma monotesta de crena. E isto, ao meu ver,  com razo!

NATUREZA E MTODO DA CRISTOLOGIA

Abriu-se este assunto no livro Dogmtica Crist, primeiramente explicando que Cristologia  a reflexo da Igreja sobre a assero bsica de que Jesus  o Cristo 
de Deus. Porm, como chegou-se a esta concluso? Para responder a esta pergunta, o autor do livro aqui mencionado, parte da grande pergunta: "o que  cristologia?" 
Ou melhor: o que realmente significa cristologia?
Iniciando o circuito da resposta, nos  dito que cristologia  a interpretao de Jesus de Nazar como o Cristo de Deus a partir do ponto de vista da f da Igreja 
crist. "Cristo"  um ttulo, e no o segundo nome de Jesus. O ttulo exprime a identidade de Jesus de Nazar, de acordo com o testemunho apostlico e a tradio 
catlica. 
A experincia de f em Jesus como o Cristo vivo significa que a cristologia  mais do que reflexo crtica sobre quem era Jesus em sua experincia terrena. Foge 
dos domnios da cincia. Jesus Cristo pode ser o objeto da f porque no  meramente Jesus de Nazar, uma figura histrica que viveu e morreu certa vez, mas tambm 
o Cristo ressurreto e vivo que est presentemente corporificado na comunidade dos crentes. Alm de ser Ele o filho de Jos,  primordialmente o Filho de Deus.
Sem a confisso de f em Jesus como o Cristo, a cristologia poderia ser reduzida a jesulogia. Assim como existem os kardecistas, os budistas, os confucionitas, os 
marcionitas, etc. E alm de tudo, f no  um mero desempenho humano, uma obra do intelecto, da vontade ou das emoes. Ningum pode chamar Jesus de o Cristo puramente 
como resultado de pesquisa cientfica histrica. Desta forma, o autor do livro conclui que uma comisso de historiadores cientificamente treinados, formada para 
encontrar fatos, no poderia provar que Jesus  o Cristo. 

A afirmao da comtemporaneidade de Cristo significa que o Esprito Santo atualiza a presena de Cristo atravs da f, o lado recebedor de um relacionamento pessoal 
real. O Esprito Santo  o poder para juntar agora a f pessoal e Jesus que  o Cristo vivo.  o Esprito que tira o Jesus histrico da distncia da histria passada 
e o situa, como o Cristo vivo, no contexto existencial do momento presente. Contudo, o Esprito Santo no atua de maneira direta, no mediada. O Esprito  ouvido 
em, com e sob a pregao da Igreja. No se pe o Esprito Santo de Deus diante de um microscpio, ou numa mesa de pedra fria para dissec-lo, ou ainda diante de 
uma banca de telogos, para que seja pesquisado e catalogada a sua estrutura. Deus no se deixa escarnecer. 

O retrato de Jesus, o Cristo, que anima a pregao da igreja no  moldado por tais construes arbitrrias da imaginao, mas pelos credos e confisses cristolgicos 
da igreja. E isto, porque o dogma cristolgico aponta para alm da igreja, assegurando que seu Senhor  o Cristo vivo corporificado em Jesus de Nazar, e no um 
mito a-histrico, um princpio metafsico, uma personalidade religiosa ou um virtuoso moral.
O retrato autntico do Cristo vivo  dado na Bblia; tudo o mais , na melhor das hipteses, alguma espcie de reproduo. Assim, a igreja sempre ter necessidade 
de testar suas interpretaes cristolgicas referindo-se ao retrato bblico de Jesus, o Cristo. Este retrato, porm,  como um nico instantneo. , antes, como 
uma montagem de retratos esboados por diversos artistas, de vrios ngulos e em pocas e lugares diferentes. No se muda o quadro pintado por um grande artista, 
pois este j deu seu ltimo retoque e o assinou. 

O texto o qual aqui est sendo apontado, comenta ainda no assunto cristolgico, sobre histria, dogmtica e f. Ele afirma que o historiador, o especialista em dogmtica 
e o crente tm suas maneiras prprias de abordar o Jesus Histrico. E assim, ao que parece, nos  mostrado que os trs, unidos, podem ser de grande validade para 
a busca de um melhor conhecimento sobre a pessoa de Jesus Cristo. Como nota explicativa, o autor diz que, com "Jesus histrico", ele designa Jesus de Nazar na medida 
em que pode ser feito objeto de pesquisa histrico-crtica. Mas, logo ele nos lembra que a f em Jesus como o Cristo no se baseia nos resultados de tal pesquisa. 
O Jesus histrico no pode produzir a f, mas a f, ao meu ver, pode ajudar na pesquisa histrica de Jesus.  tarefa da dogmtica servir de "advogado de defesa" 
para os crentes frente  heternoma reivindicao da cincia no sentido de fornecer os contedos ou legitimar o fundamento da f. 

No livro, o autor nos aconselha que  importante guardar uma distino entre dogmtica e f. O que  relevante para as construes construtivas do telogo no  
necessariamente essencial para a existncia ou mesmo para o bem estar da f. A f pode existir muito bem sem estar a par da mais recente pesquisa, ao passo que a 
dogmtica no pode ignorar o contnuo processo e os resultados da pesquisa histrico-crtica. A f vive do testemunho a respeito de Cristo na pregao da igreja 
e na mensagem das Escrituras. A dogmtica  uma reflexo crtica que continua na igreja em prol de uma compreenso mais madura da f, de seus fundamentos e contedos.
Um dos pontos em debate na teologia contempornea diz respeito ao ponto de partida correto da cristologia. Tradicionalmente, a cristologia era feita "a partir de 
cima". a cristologia procedia de maneira dedutiva, movendo-se da divindade eterna de Cristo l em cima para sua natureza humana c em embaixo. 
Quando o dogma cristolgico foi posto na defensiva por seus crticos modernos, fez-se a tentativa de salvar seu significado mediante uma concentrao no Cristo querigmtico. 
Esta  uma maneira contempornea de fazer cristologia a partir de cima. contudo, no podemos dar-nos por satisfeitos em assumir o Cristo querigmtico como ponto 
de partida da construo dogmtica.

Existe hoje em dia entre os telogos um virtual consenso de que a cristologia deve partir de baixo. Neste ponto reside o mais profundo significado da nova busca 
do Jesus histrico. Mas, como sancionado em Dogmtica Crist, nem o dogma nem o querigma so, de si mesmos, suficientes para fornecer a base e o contedo da f. 
Diz-se que h boas razes para exigir que a cristologia comece de baixo! Fato este devido a que a cristologia se baseia no Cristo testemunhado pela f apostlica, 
e esse Cristo no  outro seno Jesus de Nazar.

Porm, o perigo de comear a cristologia de baixo  que ela pode terminar numa "cristologia baixa" sem utilidade para a f crist. "Cristologia baixa", segundo o 
autor,  definida como uma interpretao de Jesus que o trata como mero ser humano. Ela converte a clssica categoria cristolgica do "verdadeiramente humano" (vere 
homo) no "meramente humano". Se assim for, como ento poderemos fazer uma cristologia confivel? Como conseguiremos usufruir de um conhecimento sobre Cristo que 
nos ajude na f e no conhecimento, sem o temor de estarmos criando um cristo de laboratrio?
Uma boa resposta, dada pelo livro Dogmtica Crist  que a reflexo cristolgica  um processo hermenutico em que os movimentos "a partir de cima" e "a partir de 
baixo" no so mutuamente excludentes, e sim dialeticamente relacionados numa compreenso abrangente da identidade e do significado da pessoa de Jesus, o Cristo. 
Esse processo de interpretao pode ser chamado de "crculo" ou "arco" hermenutico.
Importante tambm  saber que, segundo o autor do livro, o pesquisador do N.T. precisa achar nos ensinamentos de Jesus todas as sementes do desenvolvimento cristolgico 
posterior. No atingir esse objetivo significaria que a cristologia perde suas origens no Jesus real da histria. 

Nesta busca sobre as sementes do desenvolvimento cristolgico, encontra-se alguns grupos distintos de pesquisadores. Primeiro: alguns eruditos localizam a raiz da 
cristologia na automanifestao do prprio Jesus. Segundo: outro grupo de eruditos localiza o dado central da cristologia no acontecimento histrico da ressurreio 
de Jesus. Em terceiro lugar, h os que no fundamentam a f cristolgica nem no Jesus terreno nem em sua ressurreio, mas to somente no querigma da igreja primitiva.
Para a dogmtica, no h necessidade de jogar uma dessas linhas de interpretao contra as outras. O Jesus histrico, o Cristo querigmtico e o dogma cristolgico 
- estes trs constituem a matria da qual a cristologia  feita. 

O JESUS HISTRICO E O REINO DE DEUS

Qual era a expectativa de Jesus acerca do reino de Deus? Na verdade, o "reino de Deus" era o tema central de toda a mensagem de Jesus! Reinado ou reino de Deus, 
porm, era mais do que um conceito presente na mente de Jesus e expresso em discurso. Era a fora impulsora de toda a sua carreira. Tudo o que Jesus realizava em 
palavra e ao era descrito como "sinal" do reinado de Deus em irrupo.

Mas o consenso dos eruditos se desfaz no momento em que comeam a descrever o significado do reino de Deus. Na teologia protestante do sculo XIX, o reino de Deus 
era interpretado predominantemente em termos morais, quer pessoais, quer sociais. Dois nomes que surgem apoiando esta interpretao foram os de Friedrich Schleiermacher 
e Albrecht Ritschl. 

O reino de Deus no vir como o resultado cumulativo de boas obras humanas e do progresso histrico. Ele , antes, um milagre do poder de Deus irrompendo de alm 
do mbito da potencialidade humana. A pesquisa de Weiss e Schweitzer mostrou que o reino de Deus esperado por Jesus em futuro prximo se assemelhava mais a um fim 
apocalptico para o mundo do que a um paraso sobre a terra forjado gradualmente por meios humanos. O evento escatolgico vem como uma lmina afiada penetrando o 
momento presente.

No faz muito tempo, pensava-se que nosso principal problema na cristologia era que no sabemos virtualmente nada a respeito do Jesus histrico. Agora, o problema 
, antes, que uma quantidade macia de pesquisa focalizou a mensagem de Jesus acerca do reino vindouro, deixando-nos ainda inseguros quanto a como interpret-lo. 
O problema deslocou-se da histria para a hermenutica.

Como podemos seguir Jesus em conceber a basileia (reino, reinado) de Deus como uma realidade de outro mundo, de magnitude csmica, prestes a irromper a qualquer 
hora? De acordo com Harnack, os ensinamentos ticos de Jesus ainda so vlidos, ao passo que suas idias escatolgicas so estranhas aos tempos modernos.

Mas, o que Jesus realmente queria dizer com "reino de Deus"? quando falava do reino, Jesus no tinha em mente um mbito no espao e no tempo. O termo no se refere 
a uma regio espacial, e sim ao reinado dinmico de Deus. Talvez devssemos dizer simplesmente que a vinda do reino significa a vinda de Deus. Esperar o reino  
estar aberto para a vinda de Deus, nada menos do que isto. Mas isto tem significado universal, pois quando Deus vem em poder o mundo precisa mudar. As coisas no 
podem permanecer como esto. Deus no  um soberano ocioso sentado no trono. Deus agir quando vier, tanto em obras de juzo quanto em obras de graa. O reino no 
 uma condio deste mundo que possa ser realizada por meios humanos. No  um predicado deste mundo.

Uma grande inverso na ordem das coisas est para acontecer. De acordo com Lucas 6:20s., os pobres ficaro felizes, os famintos sero saciados e os que choram riro. 
S a vinda do reino de Deus pode gerar o poder de produzir tal miraculosa reviravolta no mundo humano. No entanto, o propsito de tais eventos-sinal  apontar para 
a vinda de Deus e do domnio de Deus, e no focalizar uma nova ordem social como bem ltimo em si mesma.

Na mensagem de Jesus, o reino de Deus nunca deixa de ser mistrio. Ele nunca ofereceu uma definio ou uma descrio direta. A tica de Jesus est carregada de pressuposies 
escatolgicas; ela faz sentido como uma moralidade que prefigura a nova realidade do reino de Deus que se aproxima. Quando posta em operao num contexto terreno, 
a tica de Jesus visa funcionar como sinal do reino que vem.
Seu propsito no era transmitir informao sobre o reino, como outros visionrios apocalpticos tinham feito com vvidos detalhes. Era, antes, convencer seus ouvintes 
de que estava mais do que na hora de se aprontar para a vinda de Deus.

Um dos mais acalorados debates da moderna pesquisa do N.T. tem girado em torno da pergunta se Jesus esperava a chegada do reino no futuro muito prximo ou se j 
estava sendo realizado no presente. A maioria dos especialistas concorda, todavia, que, decididamente, a maior parte das passagens que podem ser atribudas ao Jesus 
histrico retrata o reino de Deus como uma grandeza que chegou to perto que tem um impacto presente.

Jesus olhava para a frente, para a salvao que o reino vindouro traria; a igreja primitiva olhava para trs, para ele como o Cristo que j tinha tornado o reino 
presente. No obstante essa orientao para o passado, a igreja primitiva tambm se voltava para a frente, esperando uma consumao futura. 

As curas milagrosas e os exorcismos de demnios por ele praticados eram sinais adiantados do reino que vem. Obviamente, o reino de Deus ainda no tinha sido estabelecido 
aqui e agora. Agora h pessoas pobres e famintas. Quando o reino vier, sua misria ser removida. Agora elas sofrem; em breve exultaro.
Quem ensina que o reino j foi realizado no tempo de Jesus transforma numa farsa o amor de Jesus pelos pobres, oprimidos, famintos, enlutados, doentes, sobrecarregados, 
alienados, etc. Jesus prometeu a todas essas pessoas que o reino viria em breve para mudar sua sina.

Daqui surge uma outra questo, Jesus no era um quietista, oferecendo consolo barato s pessoas cuja situao deplorava, mas em relao  qual nada fazia. H cristos 
que querem tomar a cruz e seguir Jesus, porm no tm esperana de alterar as condies que criam pobreza e opresso. Recomendando sofrimento paciente neste mundo, 
prometem uma recompensa celestial no outro mundo. Mas, Jesus, pelo contrrio, fez o que pode para trazer o poder do domnio de Deus aqui para a terra.

A gnese da cristologia no Novo Testamento, aparece-nos tambm, como um assunto bsico nesta matria. O precursor de Jesus, Joo Batista, tambm pregou a mensagem 
do reino vindouro, anunciando juzo impendente e tempo de arrependimento. Jesus, porm, era diferente, ele no era o ltimo profeta do reino por vir; era o agente 
de sua chegada em incio e em poder. As realidades do reino j estavam comeando a agitar-se dentro da histria por meio do impacto do ministrio de Jesus.
A raiz da cristologia no ministrio de Jesus no est localizada num ttulo honorfico determinado que ele tenha reivindicado para si mesmo. O importante  que Jesus 
no era apenas o proclamador, mas tambm o portador do reino no ponto de sua erupo. Assim, a gnese da cristologia reside no fato de que uma pessoa se relaciona 
com o reino vindouro atravs de sua deciso a favor de Jesus ou contra ele, como a ocasio da irrupo do reino no tempo. 

Se Jesus era o Messias, o Filho do Homem, o Filho de Deus ou o Senhor no depende de acharmos estes termos como autodesignaes nos lbios de Jesus, mas da questo 
se a comunidade primitiva tinha boas razes para aplicar esses ttulos a ele como confisses de f.

Muitas escolas da teologia no procuram o cumprimento da expectativa de Jesus no duplo final de sua vida, na cruz e na ressurreio. Um tipo de interpretao sustenta 
que o reino de Deus ainda no apareceu; ele ainda  futuro e de outro mundo, no deste. Uma Segunda posio v o reino como uma chamada para a deciso aqui e agora, 
no confronto com a mensagem de Jesus; ele j est presente em cada momento de deciso existencial. Uma terceira concepo v o reino de Deus como algo que est no 
futuro histrico e que vem por meio de transformaes sociais e polticas, ou gradual e progressivamente ou por meio da prxis revolucionria.

Na crucificao e ressurreio de Jesus a igreja primitiva encontrou a prova de que Jesus era o Messias esperado e, alm disso, de que ele era o rei do reino que 
pregara, coroado com uma coroa de espinhos e entronizado numa cruz, tendo ento recebido uma vitria sobre os poderes do mal em sua ressurreio dos mortos. Aqui 
o Cristo da f e o Jesus da histria provam ser um nico e mesmo Senhor Jesus Cristo.
Os primeiros intrpretes esquadrinharam as Escrituras hebraicas, o A.T., e usaram seus smbolos e estrias para apontar para a frente, para os acontecimentos "destes 
ltimos dias" (Hb. 1:2) em que as promessas de Jav estavam sendo cumpridas no Filho. 

O interesse da igreja era concentrar-se na pessoa de Jesus como o Cristo de Deus, pois nele ela tinha experimentado salvao escatolgica. A vinda do reino na cruz 
mantm o reino oculto na histria e s pode ser vista com os olhos da f. Se deixamos a f de lado e olhamos para a histria com olhos ordinrios, no encontramos 
provas convincentes de que o reino de Deus j veio. Assim como o prprio Jesus disse: "O meu reino no  deste mundo". 

A f crist primitiva manteve a tenso entre duas verdade. De acordo com a verdade da f, o reino de Deus j chegou em Cristo. Isto se encontra em tenso com a verdade 
sobre a histria de que o reino ainda no veio. A realidade plena do reino de Deus foi, assim, dividida num j e num ainda no.

A CRISTOLOGIA CLSSICA E A CRTICA SUBSEQENTE

Se tem uma questo onde a crtica gosta de "remexer",  a da identificao de Jesus com Deus. Como  possvel, passar do reino de Deus, o dado central da mensagem 
de Jesus, para o dogma da Trindade, que identifica a pessoa de Jesus Cristo com Deus? 
A igreja primitiva cria que a vinda do reino de Deus ocorreu na crucificao e ressurreio de Jesus de Nazar. Sem a ressurreio no poderia ter surgido f na 
divindade de Jesus. Desta maneira, a f no gerou a ressurreio, como disse Bultmann, mas a ressurreio sim, gerou a f.

A vinda de Deus e a vinda de Jesus esto, assim, unificadas na experincia da salvao escatolgica. A lgica da salvao exigia a identificao de Jesus com Deus. 
A experincia da cruz e ressurreio de Jesus como o evento definitivo da salvao gerou a f, centrada na pessoa de Jesus Cristo, que tradicionalmente pertencia 
s a Deus, caso se quisesse evitar a idolatria. Se a salvao realmente tinha chegado atravs da pessoa de Jesus, ele tambm deve ter sido Deus, porque Deus, e to 
somente ele,  o poder da salvao.

Se, para Jesus, o reino estava prximo, para a igreja ele j estava aqui - em Cristo. E os participantes do reino de Deus em Cristo, tornam-se cristos, experimentando 
j sinais que pressagiam o estabelecimento absoluto deste reino.

Na cruz de Cristo, Deus lidou vitoriosamente com o pecado do mundo. Em sua ressurreio, foi derrotada a morte e criada nova vida que permanece. Por assim dizer, 
ento, ser participante do reino de Deus, significa ser vitorioso contra o pecado e a morte. 

Com isto, ou seja, com tudo o que j foi dito, podemos crer que a identificao de Jesus com Deus no foi, a princpio, resultado de um desenvolvimento dogmtico. 
Mas foi, antes de tudo, uma certeza crescente, que se desenvolvia a cada revelao de Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo.

A confisso de que "Jesus  Senhor" (Rm. 10:9; I Co. 12:3; Fp. 2:11) no foi produto de uma posterior helenizao do cristianismo. Essa frmula apareceu j no culto 
da comunidade palestina, colocando Jesus no mesmo nvel de Deus. Kyrios era a traduo grega do termo adonai, o nome predileto para designar Deus entre os judeus. 
Sua aplicao a Jesus no contexto do culto no podia ser mal-entendida por pessoas familiarizadas com as regras da reverncia devida ao nome de Deus num ambiente 
hebraico.

Com base na f em Jesus e no culto a ele prestado, a igreja primitiva no s reconheceu Jesus como Senhor, mas tambm transferiu a ele todos os altos ttulos e atributos 
divinos. E isto foi como a primeira igreja viu a identificao de Jesus com Deus.
Porm, como era de se esperar, surgiram algumas heresias cristolgicas, as quais, algumas foram comentadas no livro Dogmtica Crist. A identificao de Jesus com 
Deus no aconteceu sem grave perigo para a f crist. O perigo existente na acentuao da divindade de Cristo era o de que a f poderia perder de vista a humanidade 
real do homem Jesus. Essa viso unilateral produziu a heresia conhecida como docetismo, a perene heresia da "ala direita" da cristologia. Esta heresia  um ensino 
cristolgico, difundido sobretudo em crculos gnsticos, que dizia que Jesus Cristo s parecia ter um corpo humano e s pareceu sofrer e morrer. "Docetismo" vem 
do termo grego dokein, que significa "parecer". Marcio, o herege do sculo II, foi o telogo mais proeminente a popularizar uma cristologia doctica. A influncia 
gnstica considerava a matria como m e a carne como irreal. Por isso, quando Deus se fez homem e o Verbo se fez carne na pessoa de Jesus Cristo, isso s aconteceu 
aparentemente, segundo os gnsticos. Nesta concepo, contudo, o Filho de Deus no podia tornar-se realmente humano.
No polo oposto estava o ebionitismo, a perene heresia da "ala esquerda" da cristologia.  um ensinamento cristolgico muito difundido no sculo II, que apresenta 
Jesus como mero homem, negando completamente sua divindade. Este termo provm do vocbulo hebraico ebionim, que significa "pobres". Os ebionitas eram originrios 
principalmente de crculos judeus. Para os ebionitas, Jesus era certamente o Messias, o Cristo, mas era s um homem. Ele no podia ser Deus. Eles tambm negavam 
o nascimento virginal de Jesus.

Esses extremos constituam os dois lados da mesma moeda cristolgica: rejeio de uma encarnao real de Deus no homem Jesus. 

Os docetas estavam presos a um conceito helenstico de Deus como um absoluto atemporal que no podia realmente mudar. Porque Deus  Deus, ele  imutvel. Assim, 
no podia haver uma encarnao real, nenhuma mudana real em sentido ontolgico, mas somente na aparncia. O Deus da metafsica grega determinava completamente a 
cristologia doctica.

Os ebionitas estavam comprometidos com um conceito judaico de Deus como totalmente outro em termos de transcendncia e santidade. Deus  Deus e a humanidade  a 
humanidade; o infinito no  capaz de entrar no finito. A separao ontolgica torna uma encarnao real de Deus impensvel, at blasfmia.

A linha doctica  direita pode ser reconhecida no monarquianismo modalista, uma doutrina do sculo III proposta por Sablio, bispo de Roma. Ele ensinou que o Deus 
uno (a monarquia divina) apareceu como o Pai no A.T., como o Filho na vida de Jesus e, finalmente, como o Esprito na igreja. Diante deste assunto,  importante 
tambm frisar como o autor de livro DC, que costuma-se distinguir entre a "Trindade econmica" e a "Trindade imanente". A Trindade imanente significa que os nomes 
do Pai, do Filho e do Esprito Santo se referem a distines reais dentro de Deus. Em consequncia, tambm falamos da Trindade essencial ou ontolgica. A Trindade 
econmica significa que as distines surgem das trs maneiras em que o Deus uno se manifestou na histria da revelao (a economia divina). Desde que Friedrich 
Schleiermacher reabriu o debate sobre Sablio, eruditos tm questionado se Sablio realmente ensinou que Pai, Filho e Esprito Santo referem-se meramente a manifestaes 
temporrias e sucessivas de Deus em relao ao mundo. Mas, o que importa lembrar  que, esse novo tipo de docetismo tambm tornava impossvel uma encarnao real. 

Tambm no sculo III houve uma continuao da linha ebionita  esquerda: o monarquianismo dinamista, representado por Paulo de Samsata, bispo de Antioquia. Adocianismo 
 a designao mais comum para esse tipo de cristologia. Cristo era realmente divino; estava repleto do dinamismo do Esprito e, de modo nico, foi adotado pelo 
Pai como seu nico Filho amado. Isso no era uma apario de Deus a partir de cima, como no monarquianismo modalista. Pelo contrrio: no modelo adocianista, Jesus 
Cristo se tornou divino a partir de baixo, pela inabitao do Esprito e por seu crescimento em santidade prpria de Deus. A explicao aqui  que o humano ascendeu, 
atravs de desenvolvimento espiritual e moral, ao nvel da semelhana com Deus.

Na poca em que Constantino se tornou pontifex maximus (321 d.C.), o cristianismo foi ameaado por um srio ataque da esquerda. O ataque foi dirigido por rio, que 
estava influenciado pelos telogos adocianistas Luciano de Antioquia e Paulo de Samsata. O arianismo, entretanto, era uma negao da divindade de Cristo mais complexa 
do que aquela que encontramos no ebionismo ou no adocianismo. Para rio, Cristo era mais do que um ser humano e mais do que o Filho adotivo de Deus. Ele era o Logos, 
o Filho de Deus, que existia antes que Deus Pai criou o mundo. Porm, ele no era Deus, no compartilhava da essncia divina. O Logos no era eterno. No incio havia 
unicamente Deus, o Logos foi criado para assistir Deus na criao do mundo. O Logos podia mudar, entrar na histria, unir-se com carne humana na pessoa de Jesus, 
at sofrer e morrer. Assim, a encarnao do Logos foi inferior a uma encarnao real da verdadeira essncia de Deus.

Atansio, o impetuoso oponente de rio, sustentava que o arianismo era heresia porque questionava toda a realidade da salvao. Se o Logos, como redentor,  ontologicamente 
inferior a Deus, como uma criatura o  em relao ao Criador, no pode haver salvao real, pois tal sistema coloca o nus da salvao sobre uma criatura. Atansio 
perguntava como um ser inferior a Deus poderia elevar os seres humanos at o nvel de Deus. Como poderia o mediador entre Deus e a humanidade ser menos do que plenamente 
divino e plenamente humano?
No Conclio de Nicia, em 325 d.C., os pais inseriram uma antiga palavra de origem gnstica, homoousios (do grego homos, "igual, idntico", e ousia, "ser"), para 
expor a deficincia da cristologia de rio. O Credo Niceno tornou-se a afirmao fundamental da igreja na interpretao da encarnao.

A partir de sua conexo trinitria, a cristologia passou a estabelecer a relao existente entre o Cristo divino e o Jesus humano. O apolinarismo, que recebeu seu 
nome de Apolinrio, bispo de Laodicia, comeou afirmando a cristologia alta do Credo Niceno. Ele era completamente ortodoxo na doutrina da Trindade. Ele sustentava 
que o Filho  distintamente outro do que o Pai (contra o sabelianismo), porm compartilha eternamente da substncia una do Pai (contra o arianismo). Todavia, ter 
uma posio correta a respeito da Trindade pelo critrio da ortodoxia no determinava como um telogo poderia interpretar a encarnao. Apolinrio moveu-se na direo 
do docetismo ao ensinar que a humanidade assumida por Cristo na encarnao era incompleta. Por certo o Logos em Cristo era verdadeiramente Deus; entretanto, na encarnao 
ele no se tornou inteiramente humano. Apolinrio cria que uma unio genuna s  possvel quando o Logos, como princpio ativo de autoconscincia e autodeterminao, 
substitui o esprito humano. A unio que havia em Cristo era uma unio do Logos perfeito com uma natureza humana incompleta. 

O Conclio de Constantinopla, em 381 d.C., afirmou o carter completo da natureza humana de Cristo. Estava em funcionamento a mesma lgica que exigia o homoousios 
com o Pai, requerendo um homoousios comparvel com a humanidade. Era a lgica da salvao. O princpio operativo era este: o que no foi assumido no pode ser salvo. 
O primeiro conclio eclesistico a se decidir contra o apolinarismo declarou: "Se, pois, o homem todo estava perdido, era necessrio que aquilo que estava perdido 
fosse salvo." (Conclio de Roma, 374-376 d.C.).

Para Nestrio, um dos lderes da escola de Antioquia, Jesus Cristo era tanto plenamente Deus quanto plenamente homem, mas as naturezas divina e humana devem manter-se 
distintas e no reduzidas na encarnao. Deve haver dois de tudo - duas naturezas, duas substncias, duas vontades, duas sries de atributos - e, por consequncia, 
tambm duas pessoas (prosopa).

Essa doutrina de duas pessoas juntadas em Cristo tornou-se a marca definidora do nestorianismo como heresia. O problema essencial do nestorianismo  simples: ele 
no podia afirmar uma encarnao real. Os nestorianos propunham uma unio de duas pessoas vivendo lado a lado numa comunho de amor e liberdade moral. Os alexandrinos 
insistiam numa unidade ontolgica mais profunda de Deus com o homem Jesus. Para Eutquio, patriarca de Constantinopla, e Discoro, bispo de Alexandria, a coisa mais 
significativa em Cristo era sua natureza divina, no sua humanidade. Para esta doutrina, a partir do momento da encarnao, restava apenas uma natureza. Por conseguinte, 
essa heresia  apropriadamente chamada de monofisismo, que significa "uma natureza", e, por vezes tambm de eutiquianismo, segundo o nome de um de seus proponentes. 
Os monofisitas sacrificavam a integridade da humanidade de Jesus em benefcio de sua divindade.

No sculo V a igreja se debateu no dilema de optar entre um Cristo divino que no era realmente humano (monofisismo) e um Jesus humano que no era realmente uno 
com Deus (nestorianismo). A confisso ortodoxa que emergia seria, da em diante, que Jesus Cristo era plenamente Deus e plenamente humano. Como, porm, esto os 
dois relacionados permaneceu, para eles, como um mistrio. Por fim, em Calcednia (451 d.C.), os pais do conclio formularam o dogma cristolgico das duas naturezas. 
Assim, a igreja optou por um meio termo entre as alternativas de Nestrio e de Eutquio.
O veredito final pronunciado pelo credo de Calcednia reza (fragmentado): "(...) Um s e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unignito, tornado conhecido em duas naturezas 
(que existem) sem confuso, sem mutao, sem diviso, sem separao; no sendo a diferena das naturezas de modo algum removida em razo da unio, mas, antes, sendo 
as propriedades de cada uma preservadas, e concorrendo (ambas) em uma s Pessoa (prosopon) e uma s hypostasis - no partida ou dividida em duas pessoas (prosopa), 
mas um s e mesmo Filho e Unignito, o Logos divino, o Senhor Jesus Cristo... (...)"

Esta  a famosa definio calcedonense da identidade pessoal de Jesus Cristo. O propsito principal do credo era afirmar uma encarnao verdadeira, no explicar 
seu mistrio. As duas naturezas, embora permanecendo distintas, foram unidas na pessoa una de Cristo. No entanto, o credo no explicou como duas naturezas completas 
puderam ser unidas numa s pessoa. Pode-se concluir com segurana que o conclio conseguiu cumprir, por certo tempo, uma cerca protetora em torno do mistrio da 
pessoa de Jesus Cristo. Ele, o credo, certamente deixou espao para ulterior desenvolvimento.

Agora somos levados do credo de Calcednia  Formula de Concrdia. Consideremos o ataque contundente de Paul Althaus: "No se pode separar a natureza da pessoa. 
A personalidade humana  um constituinte essencial da natureza humana. Por consequncia, a 'anhypostasia' abole a verdadeira humanidade de Jesus, seu ego humano 
que cria e orava, a verdade do fato de ele ser tentado.

O que a anhypostasia nega  que a natureza humana de Jesus existia ou existe por si mesma fora da Palavra, e a enhypostasia afirma que Jesus tinha existncia pessoal, 
porm unicamente em e atravs da Palavra. A humanidade no  abolida ou mutilada, mas sim elevada e realizada em unio com a pessoa, a hypostasis, da Palavra de 
Deus. 

No Ocidente praticamente no houve qualquer desenvolvimento digno de nota ao longo da Idade Mdia, com exceo de um ressurgimento do adocianismo na Espanha do sculo 
VIII. Nesta concepo, Jesus, em sua humanidade, era o Filho adotivo pela graa de Deus (adoptivus homo). Esse ensinamento foi condenado em vrios snodos como reavivamento 
da impiedade nestoriana que dividia Cristo em dois filhos, o Filho de Deus eterno e o Filho do homem adotivo.

O problema cristolgico foi levantado mais uma vez nas acaloradas controvrsias entre luteranos e calvinistas sobre a doutrina da comunicao de atributos (communicatio 
idiomatum). Lutero ensinava que, na Ceia do Senhor, o Cristo todo estava realmente presente, inclusive sua natureza humana, e, por conseguinte, tambm seu corpo 
e sangue. Zwnglio respondeu com sua teoria da alloeosis, que explica o discurso da f acerca da presena real como uma figura de linguagem. Zwnglio disse que o 
Cristo humano no pode estar realmente presente na Ceia do Senhor, visto que  finito. J Lutero ensinou a ubiqidade ou onipresena, que , essencialmente, um atributo 
da natureza divina, mas que  comunicada  natureza humana por causa da unio encarnacional.

Depois de algum tempo, sistematizou-se a doutrina da permuta dos atributos em trs gneros, que, criam os pais luteranos, tinham o apoio da Escritura. Em primeiro 
lugar, h o gnero "idiomtico": qualidade de qualquer das naturezas podem ser atribudas  pessoa toda. Em segundo lugar, h o gnero "apotelesmtico": aes da 
pessoa una podem ser atribudas a uma ou outra das duas naturezas. Em terceiro lugar, h o gnero "majesttico": qualidades divinas, tais como onipotncia e onipresena, 
so atribudas  natureza humana. Os luteranos desejavam acentuar a unidade da pessoa divino-humana, correndo o risco monofisita de misturar as naturezas. Sua formula 
de combate era "finitum est capax infiniti", o finito  capaz do infinito. J os reformados diziam que no. Eles mantiveram uma clara distino entre as duas naturezas, 
de modo que seu slogan veio a ser "finitum non capax infiniti", o finito no  capaz do infinito.
Se o Logos  divino, ento ele no podia se limitar  carne de Jesus. 

Consequentemente, os calvinistas ensinavam que o Logos, sendo infinito, deve existir extra carnem (fora da carne) e no estar limitado por sua unio com a carne. 
Os luteranos reagiam com uma teologia da cruz, sustentando que o Logos s pode ser conhecido na carne. Assim, cunharam a expresso "totus intra carnem" e "nunquam 
extra carnem" (totalmente na carne e nunca fora da carne)

O artigo VIII da Frmula de Concrdia (1580) visava reconciliar diferenas entre a escola de Johannes Brenz (da Subia) e a escola de Martin Chemnitz (da Baixa Saxnia). 
Esta frmula tentou encontrar uma linguagem equilibrada para resolver as disputas, mas teve pouco xito. 

S no sculo XIX houve um ponto de partida, por alguns luteranos, que foi mais satisfatrio, usando a idia de kenosis, sugerida por Filipenses 2:6s. do mesmo modo 
que os atributos divinos passaram  natureza humana, os humanos passaram  divina! Desta forma, o divino preenchia o humano em muitos aspectos, inclusive no auxlio 
para que Jesus no pecasse, e o lado humano preenchia o divino, inclusive no auxlio  humilhao e morte. 

Schleiermacher, porm, era um dos que fizeram uma crtica  dogmtica. Ele via a necessidade de usar-se uma linguagem mais filosfica nestas explicaes, pois o 
homem moderno no consegue entender esta cristologia antiga, como disse ele. Adolf von Harnack tinha tambm pensamentos parecidos quanto ao valor dos dogmas. Tudo 
isto, devido ao fato de que, segundo eles, a igreja criou seus dogmas como produtos da "helenizao" do cristianismo. Mas, na verdade, a igreja usou a linguagem 
que conhecia em sua poca, como ainda hoje, continua desenvolvendo-se em seu linguajar teolgico para explicar cada vez melhor as doutrinas bblicas. Tillich, se 
referindo aos dogmas, disse que estes no so fins em si mesmos, mas que sempre estaro abertos a questionamentos. 

A VERDADEIRA HUMANIDADE DE JESUS CRISTO

Quando busca-se o Jesus histrico, ao invs de pensarmos que est-se menosprezando sua divindade, lembremo-nos de que, na realidade, isto  indicao de que se leva 
a srio a humanidade plena de Jesus. O estudo crtico sobre Jesus comeou no iluminismo. 

Os estudos iluministas que levam a uma moderna biografia de Jesus, mostram-se falhas, pois cria-se um Jesus moderno, esquecendo-se de, antes de traz-lo para o hoje, 
viver com ele no passado tambm, para entender-se melhor sobre sua pessoa humana enquanto aqui na terra. 

Mas, a reinterpretao da cristologia no sculo XIX preferiu uma posio mais mediadora. Aceita-se a pesquisa histrica como base teolgica, mas no  f. Assim, 
a f se interessa pela histria de Jesus, no para se firmar, mas porque j  forte. 
Um problema que surge nesta questo, porm,  a da "impecabilidade", mas como vimos mais atrs, percebeu-se que Jesus, sendo tambm o Logos, no pecou, pelos limites 
que cada uma de suas naturezas lhe davam. 

Outra pergunta que surgiu foi a seguinte, se Jesus assumiu a forma humana, ento tambm assumiu a sua natureza cada do homem? Alguns tentaram responder que, se 
Maria era virgem, ento no, pois o pecado  transmitido pelo esperma do homem! Mas, isto  sem nexo. Da, a resposta comum foi, e  que, Jesus assumiu sim a condio 
existencial de nossa natureza humana cada. 

Quanto  identidade do Jesus terreno e do Cristo ressurreto, chegou-se  concluso que, so eles uma s e a mesma pessoa. 

Falando agora de Jesus Cristo como o ser escatolgico, o autor do livro diz que a ressurreio fez de Jesus o representante neste aspecto. Pois, se a esperana futura 
de todos  vencer a morte, Jesus, quando a venceu, mostrou-se o ser escatolgico aniquilador da morte. Quando Cristo vence a morte, mostra que ele, na pessoa de 
Jesus, reaviva a imagem de Deus no homem, mas com perfeio. Assim, o homem em Cristo tem sua imagem de Deus refeita, e a prova disto,  que agora ele tem em Jesus, 
a vitria contra a morte. O Cristo ressurreto  o destino futuro de toda a humanidade. 

A VERDADEIRA DIVINDADE DE JESUS CRISTO

Para a explicao deste assunto, DC entra na estria do Deus encarnado. Assim, como nota explicativa, o autor diz que Story, no original. Traduziram este termo por 
"estria" para diferenci-lo de history, que traduzimos sempre por "histria". 

Existem, no tocante a encarnao, duas reaes opostas da parte dos estudiosos. So a reao conservadora, que rejeita a descoberta em defesa da f tradicional. 
Dizem que a Bblia contm verdade, e no mito. O acontecimento da encarnao foi real. 

A outra reao  a liberal, que consiste em reconhecer a descoberta do carter mtico da encarnao e ento desmitologizar a f crist para torn-la relevante para 
o mundo contemporneo. Nesta concepo, a estria da encarnao no essencial para a f crist.
Porm, no viu-se nenhuma das posies como adequadas para uma teologia crist construtiva. Paul Tillich fala sobre a terceira abordagem, que  a interpretao do 
mito como estria, sem compreender seus elementos simblicos literalmente, mas tambm sem eliminar seus aspectos histricos. Bultmann prope o mtodo de interpretao 
existencialista para salvar o querigma do mito. Se bem que, ao meu ver, a desmitologizao bultmaniana foi exacerbada, podemos tirar dela seus auxlios, que no 
foram poucos! Desta forma, Deus no pode ser reduzido a uma termo da existncia humana, ento, o mito no  a realidade, mas a sombra da realidade, a maneira de 
se referir  realidade,  como se fossem as etiquetas colocadas pela igreja primitiva, sobre os acontecimentos que viam e ouviam.

Na verdade, a igreja tomou emprestado a linguagem do mito e da histria para descrever e interpretar o Logos de Deus. Os deuses gregos no eram como o nosso, e isto 
os primeiros cristos sabiam, ento,  claro que eles no confundiam Cristo com Zeus, por exemplo, mas, a linguagem a qual usava-se aos deuses gregos, era a nica 
que eles conheciam, ento, usavam esta linguagem, se bem que bastante transformada, adaptada  Cristo, quando se referiam ao Logos de Deus. 
Duas correntes tentaram explicar esta questo sobre a realidade de Deus. Foram os adocianistas e ebionitas: Jesus no era, para eles, verdadeiramente Deus, pois 
Deus no pode sofrer. A outra maneira era a dos docetas e monofisitas: Cristo era Deus, mas no seus sofrimentos.

Porm, o Deus de Israel no era assim, pois o Deus descrito na Bblia,  o Deus que sofre com o Filho. Deus sofreu por sua liberdade em amor. Se Deus estava em Cristo, 
ento o sofrimento tornou-se parte da experincia de Deus. Na verdade, s se compreende o verdadeiro ser de Deus e da humanidade  luz do Cristo crucificado, como 
inferiu Martinho Lutero. Lutero chamou isto de "alegre permuta". 

Isto, consequentemente, nos leva a afirmar a divindade de Cristo. A igreja primitiva respondeu  proclamao apostlica do ato redentor de Deus em Cristo na linguagem 
da orao, do louvor e da ao de graas. A cristologia ontolgica se expressa aqui neste ponto, pois a natureza e os atributos de Deus, que sempre foram utilizados 
na doxologia ao Pai, passa a ser usado na adorao crist do Filho. No N.T. no h um divrcio entre o ser de Cristo e sua misso, confirmando o fato de que Jesus 
no  s o Filho de Deus em algum sentido subordinado, mas  de fato Deus. 

Na realidade, o conselho nos dado pelo autor,  que, se quero superar os efeitos ruins exercidos pela metafsica grega sobre a cristologia clssica, devo achar uma 
melhor, e no optar por absolutamente nenhuma. Na verdade, a cristologia nunca poder ser amarrada em conceitos temporais, porque ela trata de um ser atemporal. 

Jesus Cristo, como apresentado em DC,  o perfeito representante de Deus aos homens, e o perfeito representante dos homens a Deus. No  que Jesus se adaptou  nossa 
noo de Deus, mas, na verdade, ns reconhecemos nele, o que devemos realmente pensar sobre Deus. Olhamos para Jesus e dizemos: "No h outro Deus". Seno, ao invs 
de cristologia, deveria ser jesulogia. E isto, s podemos fazer pela fora mediadora do Esprito Santo, que torna a cristocentricidade de Jesus presente e real em 
nossas vidas. 

A encarnao, basicamente falando,  o auto-esvaziamento de Deus de tudo que separava o Criador da criao,  a auto-entrega de Deus a outros para reconquist-los. 
Deus pde fazer isso por causa da liberdade do amor divino, e no por necessidade pessoal. 

A HUMILHAO E EXALTAO DE JESUS CRISTO

A preexistncia de Cristo faz parte do mito da encarnao. Paulo e Joo, no seu evangelho, foram os que mais se referiram a este assunto. Na verdade, se Cristo no 
fosse preexistente, existiria dvidas ainda de se a nossa salvao realmente seria real e eterna. Ora, s o Deus eterno pode conceder salvao!

At o seu nascimento virginal mostra a sua preexistncia. Mas,  daqui mesmo que surge uma pergunta conflitante: como poderia Jesus ser como ns em todos os sentidos, 
se realmente no tinha um pai humano? O conselho primordial do autor do livro o qual aqui comentamos,  que a estria nunca deve se atolar na biologia. A verdade 
de seu nascimento virginal  que Deus mostrou, atravs deste fato, que ele estava agindo no processo de salvao desde o momento do nascimento de Jesus. Com o nascimento 
de Cristo atravs do Esprito Santo, Deus estava mostrando que Jesus no iria ser adotado pelas coisas que fez, simplesmente, mas que antes de mais nada, j era 
o Filho de Deus. 

Tudo isto atingiu seu clmax no sofrimento e morte de Jesus. Ali foi seu esvaziamento total. Agora, para que se examine a cruz em um sentido existencial, deve-se, 
antes de tudo, crer nela como um fato histrico. A crucificao de Cristo aconteceu uma vez s na histria, e no acontecer mais. O simbolismo e o poder da mensagem 
da cruz sim, pode ser passado de gerao em gerao. 

Agora, a questo fica mais extraordinria quando no livro DC comenta-se sobre o descenso de Jesus ao inferno. "Inferno"  uma traduo do termo grego hades, que 
designa a morada dos mortos. Posteriormente foi que a teologia criou uma doutrina que ensina que a pessoa ou ia direto para o cu ou para o inferno, com exceo 
de alguns que iam antes para o purgatrio. O inferno  considerado o domnio de Satans, e Cristo devia libertar-nos tambm deste poder. Por isto, desceu at l!

Quatro outros fatos ocorridos na vida de Jesus, foram de supra importncia, segundo o autor, para a cristologia, que foram: a ressurreio, a ascenso, o assentar-se 
 direita de Deus e a sua vinda em glria. A ressurreio de Cristo  descrito como o ato pelo qual Deus o tirou de sua humilhao e o exaltou, provando que Jesus 
era tudo o que disse que era. Se Jesus no tivesse ressuscitado, sua causa teria perecido com ele. Na sua ascenso, vem a prova de que ele foi para o Pai. E, alm 
de ir para o Pai, Jesus, com a ascenso, cria a possibilidade de estar conosco atravs do Esprito Santo. A ascenso  tida como um avano, e no como um simples 
retorno ao estado anterior. Alm de ser assunto ao cu, Jesus senta-se  direita de Deus. Direita  smbolo de poder e governo. Jesus agora rege os coraes, no 
mais estando preso a seus limites enquanto na carne. E, por fim, a ltima questo comentada no livro DC, que foi a vinda de Jesus em glria. Isto significa que um 
dia nos encontraremos com ele novamente, porm, tambm nos carrega de responsabilidades, pois ele vir e nos julgar. O bom  que este julgamento, para os cristos, 
no tem um valor negativo, pois o seu Juiz  Jesus Cristo, o Justo. Jesus ser o Juiz porque ele  a essncia de tudo o que deve ser um ser humano. Desta forma, 
no seremos julgados por uma lei diferente a ns, mas por uma lei criada pelo Deus que foi um de ns. 

A UNICIDADE E UNIVERSALIDADE DE JESUS CRISTO

Jesus  o nico meio de salvao. E isto, ele ganhou como herana,  a herana de exclusividade. O catolicismo romano pegou esta exclusividade  jogou para a igreja. 
A questo que surge, disto,  se a salvao pode ser provinda de outras religies ou no! Vivemos num mundo com pluralidade de religies. As respostas reais sobre 
Deus, encontram-se em Cristo, ento, para alcanar-se a salvao,  s atravs dele. 

Joo Batista mandou perguntar se Jesus era aquele que haveria de vir, ou se deveriam esperar outro! A resposta da igreja era, ele  o Messias.  s no nome de Jesus 
que h salvao. A resposta a Joo  sim, no devemos procurar outro. 

Mas e a universalidade de Jesus?  a onde encontra-se o cerne da questo! Ele  universal porque  nico. Se  salvador,  salvador universal, pois o mundo inteiro 
precisa de salvao. Se Jesus  o salvador universal, isto implica ento que no h salvao em outras religies! Mas, no devemos temer o dilogo com outras religies, 
pois elas foram as ajudadoras, no princpio da igreja, a emprestarem termos para a nossa f. Pode-se falar em salvao fenomenolgica e teologicamente. A salvao 
temporal  a fenomenolgica, e isto algumas religies podem oferecer, mas a salvao teolgica,  a eterna, e esta, s Cristo pode oferecer! Se a salvao for s 
iluminao, Buda pode salvar! A salvao da morte  a maior de todas, e esta, s o poder do sangue de Jesus Cristo tem. 

A cristologia no  esttica, por isso, do mesmo jeito que emprestamos de outras religies no passado, termos que nos valem at hoje, e outros que foram mudando 
durante a histria, sendo tambm, algumas vezes, emprestados de algumas outras religies, podemos hoje enxergar as demais religies como grupos que buscam descrever 
a sua f atravs de mitos, e mitos estes, que podem ser inteligentes e aproveitados para ns tambm! Jesus quer se fazer entender em uma linguagem a qual conhecemos. 
Deus no est sem testemunha nestas religies. No h dois caminhos de salvao, mas um s.
  
Estude com f depois de ter terminado os seus estudos, envie seu questionrio com as respostas devidas para o endereo de e-mail: teologiagratis@hotmail.com, se 
assim quiser, logo aps respondido e corrigido o questionrio, alcanando media acima de 7,5, solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista 
formado, tambm poder solicitar estagio missionrio em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil 
ou Fenipe, que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministrio poder solicitar a sua ordenao por uma de nossas organizaes filiadas no Brasil ou no 
exterior, assim voc poder tambm receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministrio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta apostila tem 18 pagina 
boa sorte.

Sem nadas mais graa e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos.

Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira 
Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida
Presidente da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe





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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
